ã Projeto Refletindo - Otavio Fattori e Luciano Fattori
Porto Alegre, setembro de 2006.
2. Amigo fiel

Ruth olhou em sua caixa de correio, mas só havia uma carta. Pegou-a e olhou antes de abri-la. Mas logo parou para observar com mais atenção. Não havia selo nem marcas do correio, somente seu  nome e endereço. Ela decidiu ler a carta: 
"Querida Ruth.  Estarei  próximo de sua casa, no sábado à tarde, e  passarei para visitá-la."
Com amor,  Jesus.
Suas mãos tremiam quando colocou a carta sobre a mesa... "Porque o Senhor vai querer visitar-me? Não sou  ninguém especial,  não tenho  nada para  oferecer-lhe..." - pensou.
Preocupada, Ruth  recordou o vazio reinante nas estantes de sua cozinha...  "Ai, não! Não tenho nada para oferecer-lhe. Terei  que ir ao mercado e comprar alguma coisa." Ruth abriu a carteira e colocou o conteúdo sobre a mesa: R$ 5,40... "Bom, comprarei pão e alguma outra coisa, pelo menos." Ruth colocou um abrigo e se apressou em sair. Um pão francês, um pouco de mortadela e uma caixa  de leite... Ruth ficou somente com R$ 0,15 que deveriam durar até o outro dia. Mesmo assim sentiu-se bem e saiu a caminho de casa com sua humilde compra debaixo de um dos  braços.
- Olá, senhora, pode nos ajudar? Ruth estava tão distraída pensando na visita, que não viu as duas  pessoas que estavam de pé na frente do mercado. Um homem e uma mulher, os dois vestidos com pouco mais que farrapos.
- Olhe, senhora, não tenho emprego. Minha mulher e eu temos vivido aqui na rua. Bom, está fazendo frio e estamos sentindo fome. Se a senhora pudesse nos ajudar, ficaríamos muito agradecidos...
Ruth olhou para eles com mais cuidado. Estavam sujos e tinham mal cheiro e, francamente, ela estava segura de que eles poderiam conseguir algum emprego  se  realmente  quisessem.
- Senhor, eu queria ajudar, mas eu mesma sou uma  mulher pobre. Tudo que tenho é alguns pães e uma caixa de leite... além do mais, receberei um hóspede importante para esta  tarde e planejava servir isso a Ele.






- Sim, bom, sim senhora, entendo... De qualquer maneira, obrigado. - respondeu o homem.
O pobre homem colocou o braço em volta dos ombros da  mulher e os dois se dirigiram para a saída. Ao  vê-los saindo, Ruth sentiu um forte pulsar em seu  coração.
- Senhor, espere! O casal parou e  voltou à medida que Ruth corria para eles e os alcançava na rua.
- Olhem, querem aceitar este lanche? Conseguirei  algo para servir ao meu convidado - dizia Ruth,  enquanto estendia a mão, com o pacote do lanche.
- Obrigado, senhora, muito obrigado.
- Obrigada. - disse a mulher.
Foi aí que Ruth pôde perceber que a mulher tremia de frio.
- Sabe, tenho outro casaco em minha casa, tome este  - ofereceu Ruth.
Ela desabotoou o próprio  casaco e o colocou sobre os  ombros da mulher. Sorrindo, voltou a caminho de casa sem casaco e sem nada para servir a seu convidado.
- Obrigado, senhora, muito  obrigado - despediu-se, agradecido, o casal.
Ruth  estava tremendo de frio quando chegou à porta de casa. Agora não tinha nada para oferecer ao Senhor. Procurou a  chave rapidamente na bolsa, enquanto notava outra carta na caixa de correio..."Que raro, o carteiro nunca vem duas vezes em um dia" - pensou. Ela então apanhou a carta e a abriu:
"Querida Ruth.  Foi bom vê-la novamente. Obrigado pelo delicioso  lanche e pelo esplêndido casaco."
Com amor, Jesus.
 
"Em verdade vos digo, aquilo que fizeste a um destes mais pequeninos dos meus irmãos, foi a mim mesmo que o fizestes."  JESUS ( S.Mateus, cap XXV, vv.31 a 46.)
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